sexta-feira, 17 de março de 2017

Herói sem graça

Depois da divertida passagem de Mark Waid pela série do Homem sem Medo, a desconfiança foi geral em relação às novas histórias escritas por Charles Soule. E não é para menos: Waid vai deixar saudade, pois escrevia de uma maneira que dificilmente será repetida por outro autor.

Seu Demolidor era leve, para cima, enquanto que nos dias de hoje, nas HQs de super-heróis, soar sisudo e depressivo é o lugar-comum.

É mais ou menos isso que vemos em Demolidor 12 (fevereiro/2017), da Panini Comics, com desenhos incrivelmente sombrios do veterano artista Ron Garney - algo bem diferente de seu estilo ensolarado visto, por exemplo, em gibis antigos do Capitão América e Homem-Aranha.

Não é que a trama seja ruim. Não é! O Demolidor se vê às voltas com um novo vilão no bairro chinês, o bizarro Dezdedos. Uma espécie de mafioso e líder religioso ao mesmo tempo. Além disso, o herói cego ganhou um sidekick: Ponto Cego.

Trata-se de um oriental que vive ilegalmente nos Estados Unidos, e que desenvolveu uma vestimenta que o deixa invisível. Uma alegoria aos inúmeros imigrantes "invisíveis" que habitam as cidades americanas.

Muita pancadaria em suas 124 páginas, que conta ainda com a participação do Tentáculo, aquela organização criminosa e sobrenatural formada por superninjas, criada no comecinho dos anos 1980 pelo lendário Frank Miller. Além disso tudo, o Demolidor agora usa um novo traje - bem feio, por sinal.

O que incomoda também nessa nova fase é a falta de inteligência. Algo que existia de sobra nos roteiros de Waid. Suas soluções para as capacidades sensoriais do Demolidor atingiram níveis superiores de detalhamento, além dos divertidos diálogos que escrevia. Aí você lê o texto de Soule e logo pensa: "Ué! Se fosse com Waid, com certeza o Demolidor teria sacado tal problema".

Na verdade, não teria nada de errado com esse arco de histórias, se tivesse sido publicado alguns anos atrás. É que tudo o que aconteceu nas HQs mais recentes foi apagado (algo corriqueiro em se tratando da Marvel do ano 2000 para cá).

Antes, a população sabia que Matt Murdock era o Demolidor. Uma biografia de sua carreira de vigilante estava sendo escrita, enquanto ele e sua namorada Kirsten McDuffie viviam em São Francisco. Para finalizar, a morte de Foggy Nelson havia sido forjada enquanto ele tratava de um câncer, até o médico atestar remissão completa.

Agora, a dupla identidade do herói é novamente um segredo mundial (exceto para Foggy), Kirsten não é mais sua namorada (e tampouco se lembra do romance), e ele age de novo em Nova York. Não vou entrar em detalhes de por que cargas d'água isso aconteceu - até pelo fato de não ter sido esclarecido na edição -, mas é algo decorrente de eventos narrados em Guerra Secretas (não a de 1984, mas uma nova saga envolvendo os heróis da editora).

Por essas e outras, ao final da leitura, a sensação como espectador é de infidelidade. Ora, você acompanha durante um bom tempo aqueles personagens e o desenvolvimento das tramas e, simplesmente, de uma para outra edição, tudo é jogado fora. E que se dane o investimento afetivo do leitor, não é, Dona Marvel?

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

domingo, 20 de novembro de 2016

O Vigia original da Charlton Comics

O Vigia da Charlton estreou três anos antes de Uatu
Todo fã da Marvel conhece Uatu, alienígena gigante e careca da raça dos Vigias - seres quase tão antigos quanto a criação do universo, que só observam e registram os acontecimentos históricos sem nunca interferirem. Se bem que Uatu quebrou esse juramento algumas vezes para ajudar os habitantes do planeta Terra, em particular, seus amigos do Quarteto Fantástico.

A primeira aparição de Uatu aconteceu em Fantastic Four 13 (abril/1963), sendo uma criação conjunta de Stan Lee (roteiro) e Jack Kirby (arte). Com o passar do tempo, suas participações se tornaram mais corriqueiras, levando-o até mesmo a ganhar uma série solo intitulada Contos do Vigia, nas páginas de revistas como Tales of Suspense, Silver Surfer e Marvel Super-Heroes. Ele também se tornou o narrador oficial de What If? (E Se..., no Brasil), e por aí vai...

Contudo, três anos antes, a concorrente Charlton Comics publicou em Mysteries of Unexplored Worlds 18 (maio/1960), a curiosa "The Forbidden Formula" ("A fórmula Proibida", numa tradução literal), sobre um alienígena chamado Codin, da raça dos... ora, veja só... Vigias! O roteiro dessa HQ é comumente atribuído a Joe Gill, e os desenhos a Bill Montes.
As características e motivações do Vigia da Charlton são similares às do personagem da Marvel 
Assim como os Vigias da Marvel, esses da Charlton eram enormes, carecas, vestiam um camisolão e também observavam tudo que acontecia nas outras civilizações. Só havia uma diferença: eles tinham a missão de interferir, caso algo muito grave pudesse colocar em jogo a existência do próprio universo. Foi o caso de Codin, que veio à Terra para destruir uma fórmula devastadora criada por um cientista desavisado.

Stan e Jack nunca comentaram qualquer influência, mas o fato do arte-finalista em Fantastic Four 13 ser justamente Steve Ditko, notório colaborador da Charlton nos anos 1960, poderia indicar que ele participou, em algum nível, da concepção do Vigia da Marvel.

Esse cabeçudo também é parecido com Uatu, não?
Se não bastasse a incrível semelhança entre os personagens dos gibis, durante a terceira temporada do seriado televisivo Além da Imaginação (Twilight Zone) de Rod Serling, precisamente no episódio 24 - ou 89, na sequencia geral -, intitulado "Para Servir o Homem" (março/1962) um alienígena da raça dos kanamitas vem ao nosso mundo para nos trazer conhecimento e paz. E adivinhe: o kanamita tinha quase três metros de altura, era cabeçudo, careca e vestia um camisolão (interpretado por Richard Kiel, o "Jaws", de James Bond).

Será que Kirby desenhou o Vigia após assistir o episódio na televisão? Teria Ditko mostrado a HQ da Charlton para Stan? Ou seria mesmo tudo uma grande coincidência? Em meio a esse mistério de natureza cósmica, Uatu permanece em silêncio absoluto em seu refúgio lunar... e ninguém tem acesso aos seus arquivos secretos.

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terça-feira, 26 de julho de 2016

O filme perdido do Homem-Aranha

Ellison como o sofredor Peter Parker
Com a disponibilidade da internet, anos atrás chegou ao conhecimento do grande público o primeiro filme do Homem-Aranha, feito em 1969. Na realidade, uma produção não oficial e amadora de Donald F. Glut - ou simplesmente Don Glut, como ficaria conhecido mais tarde, ao se tornar roteirista de quadrinhos, escritor e diretor de cinema, entre outras atribuições artísticas.

Contudo, pouco depois, um estudante universitário de Nova York, chamado Bruce Cardozo, produziu outro filme do aracnídeo em bitola de 16 mm, em cores, com cerca de meia-hora de duração, e que contou com o aval do próprio criador do personagem.

"Em outubro de 1972, eu escrevi uma carta para Stan Lee explicando o projeto, e recebi como resposta uma entusiasmada aprovação, mas contanto que o filme só fosse exibido sem fins comerciais", explicou Cardozo, em entrevista ao fanzine FOOM 4 (1973).

Um Jameson perfeito!
Homem-Aranha 1973
O rapaz teve a ajuda de seus amigos de classe para produzir os cenários e o vestuário, além de entrevistar mais de 100 pessoas durante a seleção do elenco; que contou com Andrew Pastorio como J. Jonah Jameson, e Joe Ellison encarnando Peter Parker. "Todos diziam que eles eram sósias dos personagens", gabou-se Cardozo - e, ao olharmos as fotos, chegamos a conclusão que ele tinha razão, não?

Mesmo com o filme ainda inacabado, em agosto de 1973, o jovem cineasta mostrou algumas cenas importantes para Stan Lee, Roy Thomas e mais uma turma da redação Marvel. Todos adoraram e o encorajaram a concluir o projeto.

Um detalhe interessante: o roteiro foi baseado na HQ de estreia de Kraven, o Caçador, publicada em Amazing Spider-Man 15 (agosto/1964), de Stan e Steve Ditko, embora nenhuma foto do ator que interpretou o vilão tenha sido veiculada.

Depois disso, não se soube mais desse filme, até que em 2005, Cardozo o teria exibido numa convenção de quadrinhos e ficção científica, realizada em Los Angeles. Porém, ao contrário do que aconteceu com o filme de Glut, infelizmente Cardozo se recusa a disponibilizar sua obra na internet.

Abaixo, como consolo, o filme de Glut, para o caso de você ainda não conhecê-lo.

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domingo, 26 de junho de 2016

A primeira HQ do Drácula

O Conde Drácula é um verdadeiro ícone da cultura pop mundial. Ele surgiu em forma de romance pela imaginação do novelista irlandês Bram Stoker, em 1897, e foi adaptado para diversas mídias. Nos quadrinhos, a versão da Marvel Comics - A Tumba de Drácula (abril/1972) - continua a ser a mais reverenciada pelos leitores. 

O que muita gente ainda não se deu conta, é que o editor e roteirista Stan Lee já havia transportado o personagem para as HQs em Suspense 7 (março/1951), quando a Marvel ainda era conhecida como Atlas Comics. 

A história em quadrinhos de seis páginas intitulada "Dracula Lives!" é considerada, até o presente momento, como a primeira a ser feita com o Rei dos Vampiros e, posteriormente, dita como canônica, ou seja, pertencente à continuidade do vampiro no Universo Marvel.

Embora também não traga as assinaturas de quem a escreveu e desenhou, é comumente aceito que o roteiro seja do próprio Stan Lee, já que ele escrevia praticamente todas as histórias nas revistas da editora; além de na mesma época ter produzido com o desenhista Joe Maneely outra adaptação de uma criatura famosa da Literatura: "Your Name is Frankenstein" para Menace 7 (setembro/1953) - aqui, devidamente creditada. 

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Almanaque Meteoro 6 à venda

Acaba de ser lançada a nova e aguardada edição do Almanaque Meteoro, do selo editorial Guedes Manifesto. Além do herói adolescente, a revista ainda traz mais duas criações de Roberto Guedes: o já conhecido cigano Zan-Garr, e a estreia de Monique, uma genuína bad girl, que protagoniza uma trama de suspense e terror.

Em “Até Por Ti... Morrerei!”, Meteoro encara seu maior desafio até o momento. Quando Aríete, um ser colossal forjado na aurora do universo, ameaça devastar a cidade de São Paulo, o Mascarado Voador se interpõe em seu caminho de destruição, e para isso conta com a ajuda inesperada de três bravos voluntários. Um verdadeiro épico desenhado pelo talentoso Daniel Alves, com o mais improvável desfecho dos últimos anos nas histórias em quadrinhos.

Já em “Monique”, o leitor irá acompanhar a trágica história da personagem homônima, que se passa nos tempos da Revolução Francesa. Enquanto a Bastilha é tomada pelas forças revolucionárias em Paris, a não tão bucólica comuna de Chartres é assolada por uma maldição diabólica nascida do mais profundo desejo de vingança. Os belos desenhos são de Horácio Jordan e Marcelo Borba, com arte-final precisa de John Castelhano.


Completando a edição, um bônus especial: a primeira história de Zan-Garr produzida no final dos anos 1990, e que ainda permanecia inédita numa publicação impressa. É nessa HQ, desenhada por Marcelo Borba e arte-finalizada por André Valle, que o Príncipe da Valakia encontra Lilith, a Rainha Vampira pela primeira vez.

Mas atenção, leitor: a tiragem é limitada. Por isso, para não correr o risco de ficar sem um exemplar autografado, escreva agora mesmo para: guedesbook@gmail.com 

ALMANAQUE METEORO 6
Guedes Manifesto Produções Editoriais
Editor e roteirista: Roberto Guedes
Formato: 15 x 21 cm
36 páginas – Miolo P/B
Capa (pintura em guache): Daniel Alves
R$ 15 (frete já incluso)

domingo, 3 de abril de 2016

Qual a razão do apelido "Foggy"?

Henson, o Foggy do seriado.
Tanto o leitor das "antigas", que acompanha os gibis do Demolidor há anos, como os espectadores mais novos que conheceram o Homem sem Medo com a exibição do excelente seriado da Netflix, se perguntam a razão do amigo e sócio de Matt Murdock, Franklin Nelson (interpretado por Elden Henson), ter o incomum apelido de "Foggy".

Ora, na língua inglesa foggy significa "nevoento" ou "nebuloso", palavras que nem de longe definem o simpático, engraçado e um tanto guloso advogado. Depois de tantos anos, o roteirista Mark Waid tentou justificar o apelido no contexto cronológico, em Daredevil 3ª série 12 (julho de 2012), ao contar, em retcon, que Matt apelidou o colega ainda na época de faculdade, devido ao seu ronco estrondoso que o fazia parecer um "human foghorn", ou seja, uma "sirene de nevoeiro humana".

Sirene de nevoeiro é um sinal sonoro emitido no mar para as embarcações não colidirem. No Brasil, a Panini publicou essa HQ em Demolidor 3 (janeiro de 2014), mas talvez por entender complicado explicar o apelido, preferiu dizer que Matt achava que o amigo roncava feito uma "motosserra com bafo de salgadinho", eliminando a explicação de que o apelido "Foggy" foi dado pelo herói cego.

Mas deixando Waid e Panini de lado, a verdadeira razão para Stan Lee ter batizado o rotundo personagem com esse apelido continuava sem explicação. Ou não.

É que em sua coluna Stan's Soapbox publicada em The Amazing Spider-Man 2ª série 3 (março de 1999), o famoso editor contou que "Foggy" era o apelido de um velho amigo dele, estudante de Direito. Portanto, foi uma maneira de Stan homenageá-lo.

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A revista mais estranha da Warren

A matéria que escrevi sobre a Warren Publishing, publicada na Mundo dos Super-Heróis 77 (março de 2016), trouxe muitas histórias de bastidores sobre essa importante editora cujos quadrinhos fizeram sucesso por aqui nos anos 1970, via revista Kripta, da RGE.

Contudo, por falta de mais espaço, uma ou outra curiosidade ficou de fora, como a que diz respeito a um magazine estrelado por Heidi Saha - provavelmente a publicação mais estranha da Warren. 

Saha era apenas um menina de 13 anos, muito fã de ficção científica, que aparecia nas convenções trajada de personagens em quadrinhos. Ou seja, uma precursora do movimento cosplay. 

Seus pais, fãs inveterados de sci fi também, encomendaram com a editora a produção de uma revista com fotos de Heidi como heroína. A tiragem foi de apenas 500 exemplares, que eram vendidos pelo correio. 

Muita gente na época não comprou por achar que era algum tipo de pornografia com menores, mas não passava mesmo de um exagerado mimo dos pais.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A origem secreta do Capitão América

Capa da MSH 75 - Dossiê do Capitão América
A revista Mundo dos Super-Heróis 75 está nas bancas e traz um dossiê colossal de 16 páginas, que escrevi em comemoração aos 75 anos do Capitão América.

Desta vez o enfoque maior é na figura do "pai" de Steve Rogers - o editor, roteirista e desenhista Joe Simon. 

Há também muitas informações de bastidores, entremeadas por uma análise da atmosfera reinante naquele período histórico.

Vai conferir  também como o governo americano incentivava os escritores de ficção, para que evocassem o patriotismo em seus leitores.

Além, claro, das principais influências que determinaram a gênese do personagem, como, por exemplo, o conceito utópico do Übermensch, de Nietzshe.

Segue abaixo um aperitivo da reportagem. Assim que acabar de lê-lo, corra logo para a banca mais próxima, pois os exemplares já estão acabando.

A ideia de se criar um herói patriótico, que trajasse uma roupa com as cores da bandeira americana, dominou os pensamentos de Joe Simon desde cedo, antes mesmo que ele se tornasse um profissional das histórias em quadrinhos. 

Por volta de 1922, quando ainda cursava o primário, a classe de Simon recebeu a visita de um veterano da Guerra Civil Americana (1861-1865). O homem tinha mais de 80 anos, e vestia um uniforme já bem surrado pelo tempo. 

A jovem professora o apresentou simplesmente como “O Soldado”, mas para Simon ele representava bem mais do que isso: “Era o meu primeiro contato com uma lenda viva”. 

Em seguida, o veterano desfraldou uma enorme bandeira, semelhante àquela usada no funeral do presidente Lincoln, arrancando aplausos esfuziantes da turma. A professora explicou que o soldado estava ali para dar uma mensagem, mas tudo o que ele fez foi estender sua mão para cada um dos alunos e dizer: 

“Aperte a mão que apertou a mão de Abraham Lincoln”. 

A professora se posicionou num canto da sala e fez um gesto para os alunos, insinuando que o velho era caduco. Mas Simon e seus amiguinhos ignoraram a falta de respeito dela, enquanto apertavam, com orgulho, a mão calejada daquele grande herói americano.

Animado pela boa receptividade da classe, o veterano começou a cantar “Boys the Old Flag Never Touched the Ground”, uma antiga música patriótica. Ele continuou cantando e marchando em direção à porta e, mesmo depois de ter saído da sala, os alunos, de maneira frenética, ainda aplaudiam, assoviavam e davam socos no ar. 

Simon, por sua vez, estava com os olhos injetados, e sentindo um nó na garganta de tanta emoção. Naquele exato momento, o Capitão América nascia no coração acelerado de um garoto de nove anos de idade. 

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Gotham, uma série Illuminati?

CONSIDERAÇÕES SOBRE GOTHAM - episódio 11 - 2ª temporada [Contém SPOILERS].
Cena intrigante a desse capítulo, que mostra Jim Gordon sonhando com sua ex, a psicopata Barbara Kean. Enquanto Barbara segue em queda livre (lembrança do ocorrido em capítulo anterior) uma borboleta sai de sua boca.
Na antiga cultura grega, a borboleta representava tanto a psiquê quanto a alma do ser humano. O sonho poderia representar simbolicamente a morte de Barbara (a alma/borboleta saindo do seu corpo).
OK!
Mas Barbara também foi vítima de abusos físicos e psicológicos anteriormente e, por causa disso, o voo da borboleta também poderia significar a desfragmentação total de sua sanidade.
Isso remete ao tal Projeto MK-Ultra desenvolvido pela CIA, um tratamento de lavagem cerebral que mistura psicologia, ciência e rituais ocultistas, cujo símbolo é... justamente... a borboleta (da espécie monarca).
Como há muitas evidências de que Hollywood faz uso do MK-Ultra em celebridades, políticos e figuras de vulto, e que mensagens ocultistas pipocam em tudo quanto é produção (filmes, desenhos animados, clipes musicais etc), não seria absurdo imaginar que essa cena seja mais uma mensagem/recado da "Elite Global".
E não acaba aí! Em dado momento, o garoto Bruce Wayne, prestes a ser sacrificado num ritual da sociedade secreta "Ordem de São Dumas" (monges-guerreiros que remontam aos Templários), diz a Silver St. Cloud que seu animal preferido é a coruja.
Ora, sabemos que, no futuro, Bruce vai se inspirar no morcego ao criar seu alter ego Batman. Daí que, ao citar a coruja, pode tanto significar apenas uma ideia que o garoto começa a alimentar (a de se tornar um vigilante mascarado com adereços animais), mas também algo mais, como a sua filiação a uma Ordem rival... "do bem".
Explicando: Assim como a borboleta, a coruja também tem uma simbologia ocultista: é o símbolo da sabedoria e dos segredos, e serve de totem aos frequentadores do Bohemiam Grove - um acampamento privado de VIPS, localizado na Califórnia.
Esse pessoal é a própria Elite Global (comentada acima), também chamada extraoficialmente de... ILLUMINATI.
Se você pesquisar bem, em fontes boas, vai constatar que esses "iluminados" (a tal "Elite Global") não são do bem.
Só espero que os produtores do seriado estejam usando tais simbologias meramente como recursos criativos, ou até mesmo como denúncia... e não como forma de propagar a agenda podre dessa gente nefasta.
Que um personagem tão legal como Batman jamais faça parte de nenhum conciliábulo maligno... e que continue a ser um campeão do bem... mesmo sendo um Cavaleiro das Trevas.
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