Pular para o conteúdo principal

Postagens

50 anos da Marvel no Brasil

Em julho de 1967, os super-heróis da Marvel estreavam em nosso país via EBAL (Editora Brasil-América Ltda), de Adolfo Aizen. Eram personagens inteiramente novos, modernos e de estrondoso sucesso nos Estados Unidos - desde a fundação do Universo Marvel em 1961, capitaneado por Stan Lee, e coproduzido por grandes artistas como Jack Kirby e Steve Ditko, entre outros.

Homem de Ferro, Namor, Hulk, Thor e um repaginado Capitão América também faziam sucesso em desenhos animados da televisão, chegaram aqui amparados por uma forte campanha publicitária, que também envolvia brinquedos, discos compactos, álbuns de colorir e outros acessórios infantis, além do patrocínio da rede de postos de combustíveis Shell.  Em seguida vieram o Homem-Aranha, o Demolidor e o Quarteto Fantástico.

No decorrer do tempo, outras editoras nacionais também investiram nesses super-heróis fantásticos. Desde aquelas consideradas pequenas (ou "nanicas", conforme os fãs), vide GEP (Gráfica Editora Penteado), GEA…
Postagens recentes

A volta do Status Comics

Em maio de 1989, eu estava no comecinho de carreira, e fazia roteiros de HQs para pequenas editoras de São Paulo, quando, inspirado por revistas como AmazingHeroes e Comics Interview, decidi me lançar também no jornalismo cultural, com a publicação do meu primeiro fanzine: o Status Quo Comics.

O Status Comics, como ficaria mais conhecido entre os leitores, trazia novidades do mercado de quadrinhos, entrevistas e reportagens longas sobre autores e personagens; e caiu no agrado geral – sendo largamente divulgado em jornais e revistas de circulação nacional da época. Em 1992, após 10 edições, o Status Comics se transformou num selo editorial, que abrigou sob sua chancela, os gibis independentes Meteoro, Os Protetores e ForçaMáxima. Em 1995, uma segunda série do Status Comics foi lançada, em quatro edições bem populares.


Agora em sua terceira encarnação, o Status Comics retorna maduro, profissional, e com um teor jornalístico mais opinativo, sem abrir mão do enfoque histórico. Trata-se de u…

Criador de Deuses: Sucesso no lançamento!

No último sábado - 1º de julho - aconteceu o lançamento e tarde de autógrafos do meu novo livro, a biografia Jack Kirby - O Criador de Deuses, na livraria Comix Book Shop. Apesar do frio de arrepiar, típico do inverno paulistano, o evento lotou.

Foi emocionante, e o mínimo que posso fazer é agradecer pelo prestigio e carinho de tanta gente bacana. De leitores a profissionais da área editorial; aos amigos de longa data e familiares; aos colaboradores do Almanaque Meteoro e, é evidente, ao pessoal da Editora Noir e da Comix - responsáveis diretos pela realização do evento.

Na mesma ocasião, o grande jornalista Gonçalo Junior - de tantas e imprescindíveis obras sobre artes em geral - estava autografando exemplares de seu recém-lançado A Subversão pelo Prazer (dedicado ao trabalho do italiano Milo Manara), também da Noir.

Aliás, queria deixar registrado aqui o meu sincero muito obrigado ao Gonçalo, pelo trabalho de edição preciso e também pelo prefácio que escreveu para o meu livro. E ta…

50 anos de Mylar, o herói misterioso

Em maio de 1967, a editora paulista Taika lançava a primeira edição de Mylar, criação do artista ítalo-brasileiro Eugenio Colonnese, para aproveitar o momento de popularidade com o gênero super-herói, renovado pela chegada dos personagens Marvel à televisão brasileira.

Mylar era um alienígena que tinha como missão trazer a paz ao planeta Terra - nem que para isso precisasse usar seus poderosos punhos. Ele trajava uma roupa vermelha bem chamativa e usava um cinturão atômico, que lhe permitia voar. Seu apelido era "Homem-Mistério", pelo fato de ninguém saber como era sua face, sempre encoberta por uma máscara totalmente fechada.

Colonnese contava com a colaboração de Luiz Merí nos roteiros. Após oito edições lançadas o título foi cancelado, e o personagem desapareceu das bancas por um bom tempo, até que, em 1986, foi homenageado - junto a outros personagens e personalidades do mundo real - numa HQ de Watson Portela para o especial Paralelas, da Press Editorial.

Em 1991, ganhou um…

Poesia de peso

José Antônio Cardoso de Borba é um webdesigner lá de Porto Alegre, mas quando adentra ao mundos das HQs - vide seus trabalhos de colorista no Almanaque Meteoro -, assume o codinome Zé Borba.

Alma inquieta, artística e filosófica, Borba lançou há pouco o fanzine Paquiderme, dedicado à poesia e ao trocadilho bem humorado. Como a que destaco a seguir:

"Que cheiro tem
esse teu olhar
de peixe morto"

O lance legal é que Borba também é desenhista, e de clara ascensão técnica. Um estilo que remete ao underground. Algumas de suas ilustrações podem ser apreciadas no miolo do zine (como a capa), e também no pacote de bolso Subversonhos - outra publicação de sua autoria.

Subversonhos é um conjunto de cards coloridos com ilustrações e frases reflexivas. "Mercedes sonha em mata-lo. De susto. No dia do seu aniversário. De casamento", e por aí vai. Definitivamente, uma forma diferente e interessante de divulgar e vender sua obra.

Para mais informações contate o autor via e-mail…

Super-heróis pernambucanos

Sandro Marcelo Farias, ou simplesmente Sandro Marcelo, pode ser definido como um autor arretado. Natural de Pernambuco, Sandro é uma figura constante no cenário de quadrinhos do nordeste do país, participando, desde 2003, de vários eventos e publicações independentes - algumas de sua própria autoria.

São os casos das revistas Conversor e Invulneráveis - 16 páginas, capa colorida e miolo P/B. Tratam-se de HQs de super-heróis bem movimentadas, imaginativas e dentro de um universo compartilhado - o Saniverso -, baseadas em Recife.

O primeiro é o alter ego fictício do próprio autor. Conversor é um "supra-humano" (como são classificadas as pessoas com poderes especiais no Saniverso), a serviço do Projeto Metagenoma.

Ele enfrenta supervilões sobre o céu da cidade, sem saber que há um grupo de políticos corruptos manipulando todos os acontecimentos.


Já os Invulneráveis é o supergrupo clássico, com vários personagens e personalidades conflitantes, porém unidos pelo bem maior: Agil…

Algumas palavras sobre Punho de Ferro

Eu estava com um pé atrás com o seriado do Punho de Ferro transmitido pela Netflix. Além do trailer não ter me empolgado muito, os comentários nas redes sociais, de quem já havia assistido a série toda, não eram nada estimulantes.

Alguns diziam que o personagem estava completamente descaracterizado, outros atestavam que o ritmo era lento demais, ou que as cenas de briga eram canhestras - principalmente se comparadas às do seriado do Demolidor.

Entrementes a esses comentários desfavoráveis, também fiquei sabendo das acusações de o seriado fazer "apropriação cultural", simplesmente por ser o protagonista um homem branco usufruindo da filosofia e artes-marciais asiática.

Ao ser indagado sobre esse assunto, o cocriador do personagem nas HQs, o roteirista Roy Thomas, mostrou-se indignado: "Tento não pensar nisso. Meu Deus! É só uma história de aventura. Essas pessoas não tem mais o que fazer do que se preocupar com o fato do Punho de Ferro não ser oriental?", ao que, …